dog

Olhando pra isso lembrei de um causo que aconteceu comigo esses dias:

Comprei um fogão, bem simples, só pra cozinhar umas batatas pro churrasco de domingo. Na tampa de vidro do fogão tinha um adesivo de papel, daqueles que indica o consumo de gás do fogão. Legal, li as informações e tirei o adesivo. Mas ele não saiu.

Sabe aqueles adesivos que tem uma super cola capaz de unir dois reatores nucleares? Sim, essa foi a cola utilizada num adesivo que OBVIAMENTE qualquer um vai tirar antes do primeiro uso, pra ficar bonitinho.

Lá fui eu tentar usar álcool pra tirar o restante de cola e papel. Nada.

Já imaginei um pobre pai de família que finalmente conseguiu comprar um fogão para alimentar os filhos, mas não pode cozinhar ainda, pois o adesivo não sai, e isso incomoda ele. As crianças com fome e ele ali, tentando remover o adesivo.

Tentei solvente de tinta. Encharquei um pano com aquele líquido fedorento, que instantaneamente encontrou um machucadinho no canto da minha unha que me ardeu até o cu. Enfim, a cola começou a se desprender do vidro do fogão. Mais uma vez o pai de família voltou à minha mente… Imaginei ele usando solvente no fogão, enquanto os filhos aguardam a comida, e o menor deles, menino Helerson, pega a lata do solvente, e cheira. Pensei como aquele simples adesivo mal feito pode ter colocado aquela simples família no rumo das drogas e acabar de vez com a harmonia daquela casa.

O pano ficou inutilizável. Não tinha como tirar aquele cheiro horrível. Meu pano de estimação, que minha avó me deu antes de morrer e disse “proteja com sua vida”, estava indo pro lixo com cheiro de solvente.

O adesivo saiu, mas ficou uma espécie de marca no vidro, que não sai. É permanente. Eu imagino se o FILHO DA PUTA que pensou em colocar um adesivo de papel com cola bonder no vidro de um fogão imaginou que isso poderia destruir a vida de uma família inteira. É esse o país da copa? É num lugar que as pessoas não sabem usar um adesivo de plástico de fácil remoção que você criará seus filhos?

Acorda Brasil.

queda

Lembro de uma vez que eu e uns amigos estávamos descendo um barranco em cima de um capô de fusca velho.

Certa hora, o capô bateu numa pedra, e a inércia FDP projetou todos os pirralhos pra frente.

Eu, super esperto, pra não ralar a bunda no chão, pensei: VOU PROTEGÊ-LA COM AS MÃOS.

Foram duas semanas com as mãos em carne viva, sem poder nem comer direito.

Ai, a infância…

folha

Uma vez uma borboleta pousou no vidro do meu carro num sinal vermelho.

Achei que ela voaria quando eu arrancasse, mas ela permaneceu ali, imóvel.

Andei por uma hora, e a maldita ali, parada, me olhando.

Se eu ligasse o limpador, tinha o perigo de esmagar o bicho e sujar o vidro todo.

Cheguei em casa, desci do carro, a desgraçada ali, parada.

Me aproximei dela e percebi que estava morta a borboleta. Não sei se morreu ali ou caiu morta do céu e ficou grudada.

Prefiro pensar que matei a coitada do coração com minhas manobras.

Uma vez um amigo meu tava bêbado e cagou na rua, embaixo de um poste de luz, com todo mundo vendo.

Isso não tem nada a ver com a tirinha, mas me deu vontade de contar.


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